sábado, 14 de dezembro de 2013

Guest Post Perspectivas econômicas 2014 - EUA, Copa do Mundo e Eleições

   2014 será um ano bastante emblemático para a economia brasileira, basicamente três fatores marcarão nossa trajetória no próximo ano: EUA, Copa do Mundo e Eleições. 
   Acredito que logo no primeiro semestre do próximo ano o FED – Banco Central Americano – deverá cortar gradativamente os incentivos monetários (QE3) às empresas, estes incentivos foram adotados pelo FED na tentativa de aquecer a economia frente à crise de 2008 e, isso vai forçar estas empresas a se financiarem utilizando taxas de juros normais de mercado, como os EUA é uma economia bastante solida – apesar da crise de 2008 – este fato irá atrair os investimentos que estão alocados ao redor do mundo, de volta pra lá, porque irão lucrar mais. Esse movimento de fuga de capitais irá provocar a desvalorização do real frente ao dólar, o que deverá pressionar a inflação provocando distorções no planejamento das empresas e a corrosão do poder de compra dos salários. Como medida de contenção o Banco Central elevará a taxa básica de juros encarecendo os financiamentos para as empresas e famílias e, com isso provocando efeitos colaterais na atividade econômica, fazendo com que o PIB cresça a nível inferior do que sua capacidade de crescimento em condições normais. Este fato será um divisor de águas para a corrida presencial de 2014.
   Por outro lado, o advento da copa do mundo poderá ser um fator importante para o Brasil e para o Governo Dilma Rousseff próximo ano, no sentido de amortecer as conseqüências negativas de uma desvalorização muito forte do Real frente o Dólar. Basicamente são dois os motivos para isso: primeiro, a entrada muito grande de turistas irá provocar um processo de valorização do Real, exercendo força contrária e estabilizadora do câmbio em relação ao possível corte de subsídios americanos pelo FED, o segundo será a entrada de investimentos relacionados a Copa do Mundo que também ajudará a estabilizar a taxa de câmbio, e aliviar a pressão inflacionaria. Os investimentos que foram destravados pelo Governo Federal este ano e que começarão a ser executados em 2014 – como as concessões à iniciativa privadas dos aeroportos do Galeão e Confins, da rodovia BR-163/MT e do campo de Petróleo de Libra – também ajudarão ao processo anterior na direção de frear a aumento da inflação e elevar sensivelmente o crescimento do PIB. Outros programas do Governo como o “minha casa minha vida” que são investimentos forçados, também funcionarão como freio a inflação, uma vez que as famílias serão obrigadas a pagar suas prestações e consequentemente reduzirão gastos supérfluos. 
   O cenário político possivelmente se alterará em 2014, devido uma série de fatores que poderão acontecer do inicio do ano até as eleições, tais como: novos e violentos protestos, discurso forte da oposição, gastos incontroláveis do Governo, possível perda do nosso “rating” atual, etc.   
Este penúltimo fator – gastos do Governo – também pressionará a inflação juntamente com a desvalorização cambial provocada pelo corte de subsídios do FED. Neste aspecto a entrada de dólares provocada pela Copa do Mundo, mais as restrições de consumo interno das famílias poderão não ser suficientes para estabilizar o câmbio e trazer a inflação para o centro da meta, restando como alternativa ao controle da inflação e a desvalorização cambial novamente o aumento da taxa básica de juros pelo Banco Central, o problema é que esta medida desestimula o já insignificante processo de retomada dos investimentos iniciados este ano e, elevará consideravelmente a “dívida pública”. Neste cenário o risco de perda do “rating” é iminente.
   Contudo, para o próximo ano, ainda acreditamos em um crescimento de aproximadamente 2,10% no PIB, com taxa Selic em torno de 10,75% ao final do ano, inflação em torno de 5,8% e câmbio em torno de R$ 2,4. 
   Portanto! Acredita-se que 2014 será um ano de enorme instabilidade econômica, política e social, com muitas variáveis contraditórias agindo fortemente. O mundo estará olhando para nós mais do que nunca, e isso demandará uma habilidade tremenda da Presidente Dilma Rousseff em termos de estabilidade econômica. Mas também não será um ano catastrófico. O que isto reflete para as Micro e Pequenas Empresas? Um cenário como este que mostramos demandará um significativo controle financeiro, com intuito de reduzir a dependência destas empresas aos grandes bancos na tomada de “capital de giro”, disciplina, governança, retenção de talentos, pesquisas de mercado para selecionar os melhores fornecedores, cursos de capacitação em atendimento ao cliente e, principalmente observar daqui pra frente quais os setores da economia que estão se expandindo e quais deverão se contrair nos próximos anos, para que os empresários de cada setor possam tomar decisões mais embasadas e corretas.

Autor: Magno Xavier Silva/Economista-chefe da MAGNO Consultores de Resultado
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